Enquanto os moradores de Taboão da Serra aguardam o metrô: O ônibus expresso se torna a melhor alternativa.

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Enquanto aguardam a chegada da Linha quatro Amarela à cidade, moradores dependem do ônibus que liga Taboão à estação Vila Sônia para trabalhar, estudar e circular pela capital

No Terminal do Largo do Taboão fica o ponto de ônibus do Expresso, que oferece um deslocamento gratuito do Largo do Taboão até a estação Vila Sônia.

Esse trajeto faz parte da rotina de quem precisa sair do bairro para chegar ao metrô. É ali, em meio à passagem de ônibus e à espera dos passageiros, que Sara Araújo dos Santos de 42 anos trabalha aos finais de semana e feriados.

Moradora de Taboão da Serra há mais de dez anos, depois de sair da Bahia, ela mantém o Acarajé da Tatá, uma pequena barraca instalada em frente ao ponto. O local acaba colocando Sara em contato diário com a rotina dos moradores da cidade.

Sara no acarajé da Tatá.

Além de vender acarajé, Sara utiliza o Expresso para chegar à região da Vila Sônia. Para ela, a construção de uma estação de metrô em Taboão significaria diminuir uma etapa do deslocamento que hoje faz parte da rotina de muitos moradores.

“É muito importante pra nós. Eu moro no Jardim Salete, em Taboão, e quando eu vou para a Vila Sônia é um pouquinho longe. Com o metrô aqui, vai melhorar muito pra gente, não só pro Salete, mas pros outros bairros também”, disse sara 

O ônibus que passa pelo Largo do Taboão faz a ligação com o Terminal Metrô Vila Sônia, onde os passageiros podem acessar a Linha quatro Amarela. Para quem vive na cidade, o ônibus funciona como uma espécie de ponte até o metrô.

Mas, para chegar ao destino final, ainda existe uma etapa a mais no caminho.

Ponto de ônibus no largo do Taboão.

Sara conhece essa rotina na prática. Segundo ela, o problema não está apenas no tempo de viagem, mas também na quantidade de deslocamentos que algumas pessoas precisam fazer durante o dia.

“Quem sabe melhorava muito pros moradores e pros trabalhadores também. Eu tenho que pegar ônibus para chegar até o Largo, para pegar o Expresso. Assim, chegando ao terminal, às vezes tenho que pagar outra condução para chegar no metrô. Para quem faz esse caminho todo dia, acaba pesando bastante”, disee a moradora

A situação também aparece na rotina de Augusto Silva melo de 18 anos. Ele trabalha em uma loja de capinhas de celular na Avenida Paulista e utiliza o Expresso diariamente para chegar à Vila Sônia e seguir viagem até o trabalho.

Augusto silva esperando seu ônibus.

Para ele, o ônibus já virou parte do caminho até o trabalho. A possibilidade de ter uma estação dentro da própria cidade mudaria justamente essa primeira parte da viagem.

“Eu trabalho na Avenida Paulista, numa loja de capinhas de celular, e pego esse ônibus todo dia pra trabalhar. Então o Expresso já faz parte da minha rotina” disse Augusto.

A chegada do metrô é vista por Augusto como uma alternativa mais rápida para quem hoje depende do ônibus para chegar à estação Vila Sônia.

“Seria positivo, porque o metrô é um meio rápido, bem mais rápido que o ônibus. Acho que seria uma mudança bem legal pra todo mundo. Só espero que não demore muito”, Afirmou Augusto

A extensão da Linha quatro Amarela até Taboão da Serra é uma promessa antiga para os moradores da região. Enquanto o projeto não sai do papel, o Expresso continua fazendo a ligação entre os passageiros de Taboão e a rede metroviária de São Paulo.

O cronograma da obra prevê mais alguns anos de espera para os moradores. Segundo o site Metrô CPTM

“A previsão de entrega da expansão com 4 km de túneis e duas novas estações está prevista para 2031.”

Para Augusto, o prazo é motivo de frustração. A expectativa era de que a obra pudesse ser entregue antes.

“Eu acho que tinha potencial pra ter terminado antes. Eu entendo que tem burocracia e tudo isso, mas acho que a gente merecia ter recebido antes. Passar de 2028 eu acho que já é um exagero muito grande.”

O prazo de 2028 citado por Augusto era uma expectativa pessoal do morador sobre quando a estação deveria ser entregue, e não uma informação oficial sobre o cronograma da obra. Atualmente, a previsão de conclusão é 2031.

Enquanto a estação não chega, a rotina continua dependendo das conexões. O morador de Taboão pega o ônibus, chega à Vila Sônia e, só então, entra no metrô para seguir viagem.

Para Sara, que vê os passageiros passando todos os finais de semana em frente à sua barraca de acarajé, essa espera faz parte de uma realidade que vai muito além da construção de uma estação.

Acarajé da Tatá.

É uma questão de tempo, deslocamento e acesso. Para quem trabalha ou estuda em São Paulo, ter o metrô mais perto significa também ter um caminho a menos para percorrer todos os dias.

Para a realização da reportagem, entrei em contato com a CPTM por telefone e por e-mail em busca de informações sobre o andamento das obras e a previsão de conclusão da estação, mas não obtive resposta até a publicação deste texto.