O desafio da seguranca em Santo Amaro
O crescimento dos índices de roubo altera a rotina e a economia de quem mora,
trabalha e transita por um dos maiores polos da zona sul.
Quem passa por Santo Amaro todo dia sabe que o bairro não para. Por ser um dos
maiores pontos de encontro da Zona Sul de São Paulo, juntando terminal de ônibus, trem, metrô e um comércio de rua gigante, o fluxo de gente é enorme do começo ao fim do dia. Só que, junto com essa movimentação toda, o aumento no número de furtos e roubos acabou virando parte da rotina. Isso tem obrigado a população a mudar de hábitos no dia a dia e isso já afeta o bolso de quem depende do comércio local.
O impacto no comércio de rua se vê no horário em que as portas se fecham.
Comerciante há mais de 15 anos, Seu José, de 52 anos, que conta com uma loja de salgados ao lado do shopping largo treze, diz que teve que mudar a rotina do negócio por causa do medo. “Nos últimos seis meses a gente teve que mudar tudo.
Antigamente nós ficávamos abertos até as 19h30 para pegar o pessoal saindo do
trabalho. Hoje deu 18h30 a gente já está abaixando as portas. Investi em grades,
câmeras, mas as abordagens rápidas na porta assustam os clientes”, conta seu José.
Essa sensação de ter que ficar ligado o tempo todo é a mesma de quem depende do
transporte público para trabalhar. A analista de atendimento Juliana Martins, de 28
anos, faz todo dia o caminho entre o shopping largo treze e o Terminal Santo Amaro e relata que o trajeto exige atenção constante, principalmente no final da tarde. “Quando saio do metrô por volta das 18h nem tiro o celular do bolso. Coloco a bolsa virada para frente e ando o mais atenta possível. A gente percebe que está perigoso e não dá para vacilar, até porque direto alguém tem o celular roubado, e quase não dá para ver policiamento a pé nesses trechos entre o shopping e o terminal”, diz Juliana.
Essa preocupação de quem vive e circula pelas ruas bate de frente com os dados da segurança pública de São Paulo, que mostram Santo Amaro como um dos pontos com maior concentração de roubos e furtos da região, principalmente no horário de pico. Por um lado, o bairro é uma verdadeira potência e o coração econômico da Zona Sul, repleto de comércio, empregos e um fluxo constante de pessoas. Por outro, essa intensa movimentação, somada a problemas do dia a dia, como ruas mal iluminadas, acúmulo de lixo e falta de patrulhamento, acaba facilitando a ação de criminosos que
se aproveitam da oportunidade.
Para que Santo Amaro continue crescendo sem afastar quem precisa trabalhar e
circular por ali, a resposta precisa ir além de promessas. Segurança pública se faz com presença nas ruas, mas também com calçadas bem cuidadas e iluminação de qualidade nos caminhos até o transporte público. Enquanto essas melhorias não saem do papel por completo, quem vive o cotidiano do bairro vai seguindo em alerta, adaptando passos, horários e rotinas para encarar o dia a dia.





