Segurança na Bela Vista divide opiniões

Moradores da região relatam sensação de insegurança, enquanto dados do governo apontam redução nos índices de criminalidade

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Pedestres utilizam celulares nas ruas da Bela Vista.

Localizada na região central de São Paulo, a Bela Vista recebe diariamente moradores, trabalhadores e visitantes que circulam por suas ruas entre restaurantes, bares, espaços culturais e tantos outros. Em meio a essa movimentação, a percepção sobre a segurança também faz parte da rotina de quem vive no bairro.

Kátia Pereira da Silva, 46, moradora da Bela Vista desde 2002, conta que tem percebido uma piora nos últimos anos. “Hoje roubam em qualquer esquina, infelizmente. E não é só quem está de carro, mas quem está em vias públicas também”, relata.

A moradora conta que sente receio durante os trajetos que faz diariamente entre casa e trabalho. Kátia possui uma perfumaria na Rua da Abolição, na Bela Vista, e afirma que a preocupação com a segurança se estende por diferentes pontos do bairro. “Hoje é difícil falar que é só na Nove de Julho. Agora, em qualquer rua, eles estão pegando celular e quebrando vidros de carros”, desabafa.

Segundo Kátia, a presença policial é mais perceptível nas proximidades da base localizada na Rua da Abolição. Ela conta que as primeiras quadras próximas ao local são mais tranquilas devido à maior circulação de viaturas da Polícia Militar (PM), mas que a sensação muda à medida que se afasta da região. “Por mais que tenham viaturas, não tem segurança. Os ladrões não se sentem mais inibidos pelos policiais”, afirma.

Entre os crimes que mais chamam a atenção na região estão aqueles contra o patrimônio, especialmente roubos e furtos de celulares. Segundo levantamento do g1, com base em dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), a Bela Vista registrou 268 roubos de celulares entre janeiro e abril de 2026, ficando entre os 15 distritos da capital com mais ocorrências desse tipo no período.

Embora ajudem a dimensionar o cenário na região, os dados consideram apenas as ocorrências registradas oficialmente. Casos que não são comunicados às autoridades ficam de fora das estatísticas.

A percepção de piora também aparece no relato de Gerardo da Silva Lima, de 56 anos, morador e proprietário de uma pequena loja de produtos antigos que não podem ser considerados antiquários na Bela Vista. Para ele, a segurança no bairro não apresentou melhora nos últimos anos, e chama atenção principalmente para os relatos de furtos de celulares em algumas ruas da região. “Quando subo para a rua perto da Achiropita, é onde mais ouço sobre furto de celular”, declara.

Mesmo com a presença de rondas policiais pelo bairro, Gerardo afirma que ainda não se sente seguro e acredita que há espaço para melhorias na segurança pública da região. “Hoje parece que a nossa segurança é só Deus. Sinto que tinha que melhorar mais no bairro”, discorre.

A partir de sua vivência de vários anos na Bela Vista, o comerciante percebe um aumento nos casos de roubos, furtos e outros episódios de violência. Embora nunca tenha sido vítima de roubo na região, ele critica a atuação do poder público: “Hoje os políticos só fazem segurança para eles e nós nada.”

Ainda que os moradores ouvidos pela reportagem relatem uma percepção de piora, os indicadores mais amplos apresentam um cenário diferente. Entre maio de 2025 e maio de 2026, os registros de furtos na região central de São Paulo caíram 11%, enquanto os roubos apresentaram redução de 10%, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP).

Mesmo diante das iniciativas de monitoramento e da redução registrada em alguns indicadores criminais, os relatos dos moradores revelam que a queda nos números nem sempre é acompanhada pela percepção de maior segurança no cotidiano. O receio permanece presente em situações comuns, como caminhar pelas ruas, utilizar o celular ou voltar para casa.